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domingo, 22 de junho de 2008

QUEM TEM MEDO DA PAZ

A Imprensa brasileira tem publicado nestes dias editoriais e matérias noticiosas a respeito da atuação das Forças Armadas em nosso País. Em especial após as mortes de três jovens entregues a traficantes de drogas no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, por soldados do nosso Exército.

Nisto, tem comentado que as Forças Armadas têm feito esforços, nos últimos vinte anos, de melhorar o que teria sido imprimido na nossa sociedade por decorrência do Regime de Exceção de 1964: uma imagem negativa de instituições dadas à ditadura e à opressão violenta e sem respeito para com a ordem social e política do Brasil. Para com as premissas de normalidade democrática.

Bem, não vejo a coisa exatamente desta forma. O que tenho evidenciado, e pessoalmente vivido, indica uma conduta militar crítica em relação àqueles que, antes da sociedade civil reconquistar no voto o comando institucional dos Poderes de Estado, denunciavam as Forças Armadas como as responsáveis expressas pelos nossos desmandos. Como que cônscia e sensível a que os Poderes Públicos delas institucionalmente tomados deveriam ser, também a partir disto, exercidos com responsabilidade moral e cívica conseqüente por excelência. No que não há dúvidas que práticas arbitrárias de gestão do interesse social continuaram a se dar entre nós. Com a concorrência ativa e ou passiva pessoalmente dirigida e ou pontualmente exercida, de acordo com interesses diversos, de forma profundamente prejudicial aos ideais de livre iniciativa e negociação. Mas, note-se bem, com participações militares, sim. Mas também civis... Um verdadeiro atentado contra o bom senso e o estado de direito a bem do nosso desenvolvimento. E diante de iniciativas claras de buscas pelo diálogo e por soluções consensuais aos nossos problemas.

Neste quadro em que a luz e a neblina estiveram presentes como que se nenhum de nós pudesse ser afetado, a insegurança institucional e pública veio se dando. E chegamos ao quadro econômico e social que hoje estamos vivenciando. Esta evolução se deu sob o mando de Estado civil. Poder este exercido ou não em livres condições públicas de tratar-se do que quer que se desejasse, em havendo interesse de Governo e de demais lideranças nacionais. Só não exerceu a responsabilidade quem não quis. Verdade seja dita, doe a quem doer. E é por isso que a Imprensa se pauta, não é mesmo?

Diante de escândalos político-administrativos, partidários e socioeconômicos das mais diversas dimensões e formas, pelo abuso de poder exercido em geral no interesse particular, é muito cômodo ou conveniente a alguns grupos, e à Imprensa junto à qual tomei também diversas senão exaustivas iniciativas de diálogo a que examinássemos o contexto a bem da ordem privada e pública, colocar a coisa de público assim. De forma um pouco confusa, senão simplista. Os civis também são responsáveis, senão os maiores responsáveis, por este estado de coisas que estamos socialmente vivendo. Militar algum sentir-se-ia à vontade para cometer deslizes no exercício de suas funções ou suas prerrogativas de poderes, em havendo Governantes e lideranças civis satisfatórias no exercício de suas responsabilidades institucionais, morais, cívicas e também religiosas.

Lembre-se bem, a muito bom termo, que dentre as lideranças acima indicadas, temos políticos envolvidos em corrupção reeleitos por um povo ciente de seus desmandos e impunidades. Como que reeleger espoliadores do próprio patrimônio, a título de inconseqüente descaso e protesto, pudesse assegurar aos donos da nação a prosperidade na defesa do capital público formado pelos recursos financeiros, humanos e naturais que constituem o que se lhes é concernente. "Grandes eleitores, grandes eleitos"... Tendo ainda que a grande maioria de nós sequer conhece seus direitos e obrigações; sequer tem a Constituição Federal na estante de casa. Muito menos ainda a Estadual e as demais normas de seu interesse.

Por ora, fico por aqui. Outra hora, continuo daqui pra frente. Afinal, temos que ser milhões em ação, cantando: "pra frente Brasil, do meu coração...! Salve a Seleção...!"

Sim, falei muito e quase deixo o título de lado. Quem tem medo da paz, da normalidade necessária a que se trate das coisas em ordem, é quem na desordem e na subversão prospera.. Ou prosperou ou pensa em prosperar. Serve isto a gregos e troianos, civis e militares, e quem mais de vínculo mal, daqui ou dali.

Agora, sim, eu acabei...